NomeCuradoria Daniela Vicentini e Simone Landal – Casa Andrade Muricy – Curitiba, março de 2004

denominação, designativo, designação.
palavra que expressa alguma característica de um indivíduo ou circunstância da sua vida, pela qual ele é conhecido.

Os nomes são: Alex Cabral, Carina Weidle, Cleverson Oliveira, Débora Santiago, Eliane Prolik, Fábio Noronha, Fernando Burjato, Francisco Faria, Gabriele Gomes, Geraldo Leão, Glauco Menta, Lilian Gassen, Lívia Piantavini, Luciano Buchmann, Luciano Mariussi, Luiz Rodolfo Annes, Otávio Roesner, Rafael Tavares, Raul Cruz, Rossana Guimarães, Tony Camargo, William Machado e Yiftah Peled.

A exposição nome nasce da premência de ver reunidas obras de artistas que têm vínculos diversos com a cidade de Curitiba. Ela não resulta, porém, como conclusão de uma pesquisa. nome acontece enquanto projeto para gerar discussões sobre características da visualidade que se tem construído neste território desde os últimos quinze anos, período a partir do qual acreditamos estar se constituindo uma densidade na discussão artística local. Esta mostra tem a ambição de tensionar e objetivar um debate efetivo sobre tal produção. Como designar, portanto, uma exposição que se esboça? Para encontrar um nome é preciso gerar uma situação de convívio, se é que desse modo surgirá um denominador comum para as obras que estão expostas aqui.

Por outro lado, nome diz respeito ao sujeito. É uma palavra que expressa alguma característica de um indivíduo ou circunstância da sua vida, pela qual ele é conhecido, na definição do dicionário Houaiss. Com efeito, para que pudéssemos nortear a escolha dos trabalhos, optamos por investigar como neles se dá a presença da subjetividade. Encontramos algumas possibilidades imediatas: como presença indicial, onde o corpo aparece na obra como decalque ou como imagem direta em fotografias e gravações; como referência a objetos ou imagens de objetos cotidianos carregados de afetividade; como construção simbólica, onde formas do corpo são construídas plasticamente; como construção da identidade em formas abstratas e gestos; como alteridade; como ausência e dispersão no coletivo. Na exposição observamos auto-retratos, pernas, espelhos, máscaras, cadeiras, casas, palavras, paisagens, conchas. Afinal será que a imagem do rosto do artista fala mais de subjetividade do que uma paisagem feita por ele?

As obras que integram a exposição foram definidas por um processo que valorizou o desejo das curadoras e de cada artista. Trabalhos de relevância histórica convivem com outros recentes, algumas vezes indicados pelos seus autores.

Tendo em consideração a maleabilidade de seus limites, a exposição nome ocorre como possibilidade de produzir um embate estético com as obras que, desse modo, se postam como o sujeito que nos interroga.

Galeria de imagens:

fotografias de Marcelo Almeida