Dunas, 20152015
Dunas, aquarela sobre papel Arches, 2015, 90 x 75 cm.
Esta pintura foi realizada em 2015, na praia do Campeche, em Florianópolis, a partir de observação direta do lugar, ao longo de várias sessões. É composta por múltiplos papéis que, reunidos, formam um mosaico.
No processo de realizar as pinturas ao ar livre, ocorreu-me alcançar um espaço que não se encaixava naquele pequeno retângulo. Faço aquarelas só de céu, mas sem o contraste do chão é como se não trouxesse a dimensão de crosta do lugar em que estamos. Para dimensionar, é preciso relacionar. As coisas se definem por
relações. Queria trazer a experiência da minha escala humana de estar naquele
chão específico. Olhar o perto e o longínquo. É curioso que vemos melhor as
distâncias se há algum ponto de referência. Gosto de olhar dos meus pés até o
horizonte e levantar a cabeça até o topo do céu. Quando boio no mar, procuro
o azul mais profundo e levo minha consciência para o lugar o mais longínquo possível, trago o céu para mim ou vou lá junto dele. Onde começa mesmo e termina o céu?
Vivemos numa camada muito fina de espaço.

